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Aprenda
um pouco mais sobre técnica clássica e relembre os
exercícios dados em sala de aula.
Firmeza
das Costas
Manter
a firmeza das costas na região lombar. "A fonte da estabilidade
localiza-se na coluna",
observa Vaganova em seu livro, OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DO
BALLET CLÁSSICO.
Faz-se necessário acentuar que, para a estabilidade do corpo, o
ponto vital será a consciência
(percepção) exata da porção estreita das costas
localizada precisamente na região da 5ª vértebra lombar.
Pouco a pouco vão se desenvolvendo músculos pequenos, mas
fortes, na citada área, os quais vão ajudar o
bailarino a manter o corpo em equilíbrio enquanto dança.
Esta porção das costas deve ser sentida como se
"puxada para cima" enquanto os ombros permanecem naturais e
livremente relaxados. Ombros tensos ou erguidos
impedirão que as costas se mantenham na posição correta.
Costas bem trabalhadas proporcionarão ao bailarino
perfeita colocação tanto nos exercícios da barra,
como nos de centro, bem como nos adágios, em todo o tipo de
"tours" (movimentos giratórios no chão e no ar),
em saltos e passos na ponta. A par disso, a possibilidade de usar
adequadamente as costas ajudará a tornar o torso expressivo, e
aí reside um dos princípios de maior importância do
método de Vaganova. A expressividade da dança reside nas
passagens harmoniosas de uma posição (pose)
a outra durante as quais o torso curva-se facilmente enquanto a estabilidade
do corpo é mantida
nos exercícios da barra e do centro, adágio alegro, obedecendo
à criatividade emanante de cada coreógrafo.
A habilidade no controle do torso auxilia não apenas melhorar todo
o complexo dos elementos da dança e conseqüentemente dominar
sua técnica, como também (e isto é de grande importância)
assegura uma "performance"
(desempenho) artística de alto nível. A maneira a qual o
torso é mantido durante a dança está intimamente
relacionada à posição dos braços.
Posições
dos braços e mãos
Os
braços são fatores importantíssimos no ballet. Eles
devem ser a moldura
que completa o quadro de figuras dançantes, assim, valem pelo detalhe,
pelo acabamento, pela qualidade da obra de arte.
Cada escola tem uma maneira de nomear as posições dos braços..
Conheça as posições de cada uma delas, e saiba como
executá-las corretamente.
Posições
dos braços segundo a Royal Academy of Dancing
-
Bras bas: os braços devem estar
descontraídos, um pouco adiante do corpo e pouco dobrados nos cotovelos,
com os dedos continuando a curvatura dos braços para criar um formato
oval.
Relaxe os ombros, mantenha os polegares próximos dos outros dedos
e procure não mostrar as costas das mãos
-
Demi seconde: posição preparatória
aonde os braços são mantidos do lado do corpo,
um meio termo entre 2ª posição e bras bas
-
1ª posição: os braços
fazem um desenho oval à frente do corpo, sendo que as mãos
devem estar curvadas na altura do estômago.
Relaxe os ombros, sustente os cotovelos e vire as palmas da mão
para si
-
2ª posição: abra bem
os braços, porém mantenha-os ligeiramente na frente dos
ombros.
Eles devem estar relaxados e um pouco curvos, porém não
deixe os cotovelos caírem.
As mãos devem estar voltadas para frente e os dedos flácidos
e flexíveis
-
3ª posição: é
uma fusão da 2ª com a 1ª, ou seja, cada braço
fica em uma posição.
- 4ª posição: esse
é uma fusão da 2ª com a 5ª. Enquanto um braço
está um pouco recurvado ao lado,
o outro está ligeiramente adiante da cabeça,
também fazendo uma graciosa curva (veja quinta posição).
-
5ª posição: os braços
devem estar fazendo um desenho oval um pouco
adiante da cabeça,emoldurando o seu rosto. Não levante os
ombros,
e mantenha as palmas das mãos voltadas para você.
Posições
dos braços segundo o sistema Vaganova (russo)
-
Bras bas: mesma coisa no método
da RAD
-
1ª posição: também
corresponde ao método da RAD
-
2ª posição: mesma
coisa da RAD
-
3ª posição: corresponde
à 5ª posição da RAD
Posições
dos braços no sistema Cecchetti
-
1ª posição: os braços
são curvados e mantidos dos lados com
as pontas dos dedos apenas tocando as coxas
-
2ª posição:
corresponde ao método da RAD
-
3ª posição: um braço
permanece em bras bas enquanto o outro está em demi seconde
-
4ª posição en avant: corresponde
à terceira posição da RAD
-
4ª posição en haut: corresponde
à quarta posição da RAD
-
5ª posição en bas: é
o bras bas da RAD
-
5ª posição en avant:
mesma coisa da primeira posição
da RAD
-
5ª posição en haut: quinta
posição da RAD
Posições
dos braços segundo o sistema francês
-
1ª posição: corresponde
ao RAD
-
2ª posição:
corresponde ao RAD
-
3ª posição:
corresponde à quarta posição
da RAD
-
4ª posição:
corresponde à terceira posição
da RAD
-
5ª posição: mesma
coisa da RAD
As
mãos também são importantes.
Se elas não estão bem posicionadas, os braços estão
completamente perdidos.
É necessário mantê-las naturais e sem tensão.
Os dedos devem estar agrupados com delicadeza e suavidade.
Também nunca deixe as mãos caírem, principalmente
na 2ª posição.
Grand
Plié
A
primeira sensação que um bailarino tem ao executar um grand
plié é a de alongamento.
Os pés pressionam o chão, enquanto a parte superior do corpo
se alonga para cima.
Os
músculos da perna são alinhados, colocando as coxas em en
dehors tanto quanto os joelhos e os pés. Isso permite que tudo
fique em uma só linha,
e que o pé fique grudado ao chão (no início do movimento).
Enquanto
desce, o bailarino continua a se alongar para cima usando os seus músculos
abdominais, sendo que as omoplatas estão para baixo.
Todos
os dedos devem estar alongados no chão, principalmente o dedo mindinho,
que tem a tendência de sair do chão levando o peso do corpo
para o dedão.
Isso desloca o quadril para trás, e causa uma torsão nos
joelhos.
Atenção: quem tem metatarso caído (diminuição
do arco do pé)
tem uma maior tendência a fazer isso!
O
grand plié é um movimento só: quando o quadril começar
a se desalinhar dos joelhos
e dos pés é o momento de retornar, por isso o tamanho do
grand plié muda
conforme o tipo físico do bailarino.
Na
subida, deve-se colocar os calcanhares o mais rápido possível
no chão,
sem com isso alterar o ritmo do movimento.
A
cabeça deve acompanhar a trajetória da mão.
Com isso, os músculos do pescoço são trabalhados,
tirando dele a tensão.
Atente
para a respiração: inspira-se no início, quando o
corpo está alongando,
e expira-se durante o exercício.
As
posições do corpo
Todo
bailarino deve desenvolver seu trabalho definindo internamente e
visualmente o direcionamento espacial do espaço que utiliza.
Ele deve considerar-se o centro de um quadrado do qual irradiam-se três
linhas, como na figura abaixo.
É
em cima desses pontos que se formam as posições do corpo.
Primeiramente, é necessário saber sobre os direcionamentos
chaves:
-
Devant: na frente
- Derrière: atrás
- À la seconde: do lado
- Croisé: cruzado
- Effacé: de frente
- Ecarté: separado, afastado
O
ponto 1 é a frente da sala, ou a platéia, logo,
esse ponto é o devant (a frente) e o ponto 5 é o derrière
(atrás).
Considere, para iniciar, que croisé (cruzado) é quando as
pernas estão cruzadas em relação ao espectador. Se
você vira de frente para o ponto 8 com a perna direita na frente,
está em croisé devant. O croisé devant também
pode ser obtido de frente para o ponto 2 com a perna esquerda na frente.
Já o croisé derrière acontece de frente para os mesmos
pontos, sendo que no 8 a perna esquerda está atrás e no
2 a perna direita está atrás. Outra posição
é o effacé (de frente), onde seu corpo está sempre
"aberto", as pernas não se cruzam, a linha do corpo fica
aberto para o público. Quando se está de frente para o ponto
8, a perna esquerda na frente indica effacé devant,
sendo que a perna direita atrás indica effacé derrière.
Já de frente para o ponto 2, o effacé devant é quando
a perna direita está na frente,
e o derrière é quando a perna esquerda está atrás.
Concluindo: para se obter o effacé devant, estica-se a perna que
está mais longe do público (ou do centro do palco),
e para o effacé derrière, a que está mais perto.
Já a posição ecarté (separado) deixa a perna
sempre à la seconde (do lado, daí o nome "separado"),
sendo que o corpo está de frente para as diagonais (ponto 2 ou
8). Para obter o ecarté devant, levem a perna mais próxima
do público à la seconde.
Já para o derrière, levem a perna mais distante à
la seconde.
Posições
dos pés e pernas
O
ballet foi baseado na concepção de que ao virar os pés
e as pernas pra os lados externos do corpo, isto é, para fora,
não somente se conseguia atingir mais estabilidade e maior facilidade
na movimentação, como também maior beleza de linhas.
Essa concepção é chamada de en dehors (para fora),
o que é adquirido lentamente sem ser forçado. Não
se deve pedir a alunos principiantes um perfeito en dehors antes de seus
músculos estarem aptos a executá-los sem demasiado esforço.
Porém, este movimento antinatural deve se tornar para um bailarino
uma segunda natureza. Portanto, no ballet, o princípio básico
mais importante é o de aprender a virar as pernas, que em sua posição
normal estão para a frente, para os lados, com a ponta dos pés
para fora, os calcanhares para dentro, os joelhos e as coxas acompanhando
as pontas dos pés. É importante adquirir a facilidade de
virar as pernas en dehors a partir da coxa até o pé, sem
a ajuda dos quadris e do corpo. Porém, não é recomendável
forçar demais os principiantes para evitar defeitos posteriores
nos pés e nos joelhos.
Para
tudo isso, porém, é também necessário uma
boa colocação dos pés,
que devem estar relaxados e com o peso do corpo bem distribuído
(sem deixá-los cair nem para um lado nem para o outro).
Distribui-se o peso do corpo em cima do pé tomando como ponto de
apoio o seu meio.
Além disso, quando no ar, o pé deve estar extremamente esticado,
sendo que as pontas dos dedos vão para baixo forçando assim
o calcanhar para fora (frente).
Finalmente,
com todos esses conceitos, podemos executar corretamente as cinco posições,
criadas por Pierre Beauchamps no século XVII. Cada passo é
iniciado e terminado em uma, assim como são utilizadas nas passagens
de movimentos.
1ª
posição: Os pés
devem estar unidos e virados para fora e os calcanhares juntos, formando
uma linha reta. Não esqueça, toda a perna deve rodar para
fora, e não apenas o pé. É possível, no início
do aprendizado, afastar um pouco os calcanhares, uns dois ou três
dedos um do outro, devido à dificuldade existente em encostar as
panturrilhas uma na outra (válido também para quem tem perna
em X). Não deixe seu pé cair para dentro.
2ª
posição: Mesma
"forma" da primeira posição, mas com os pés
afastados.
Ela tem o tamanho de um degagé à la seconde, e essa distância
não deve ser aumentada para facilitar o encaixe do quadril durante
o plié (para alongar o quadríceps e o tendão de Aquiles).
Assente no chão toda a superfície do pé, não
deixe pender para nenhum dos lados. Não se esqueça de, na
hora do plié, manter sempre os joelhos para fora e o quadril encaixado.
3ª
posição: Cruze um pé
até o meio em frente ao outro.
O princípio é o mesmo: corpo para cima, pernas viradas para
fora,
peso sobre as duas pernas, sem deixar o pé ceder para algum lado.
4ª
posição: Partindo da terceira
posição, faça um degagé devant, assente o
calcanhar no chão e obtenha assim a quarta posição.
É a posição mais difícil, pois um pé
fica exatamente na frente do outro, o que dificulta conservar o en dehors.
5ª
posição: É a mais
fechada das posições. Um pé fica totalmente colocado
à frente do outro, porém não se deve deixar apoiar
o calcanhar nos dedos do outro pé.
6ª
posição: É uma posição
inventada por certas academias,
onde os pés ficam paralelos e fechados um do lado do outro. Serve
para facilitar o aprendizado, mas não leva nenhum dos princípios
das posições anteriores.
Lembre-se
sempre de:
-
Manter o corpo bem erguido e puxado para cima
(isso ajudará a rodar as pernas para fora e a se sentir mais leve
e seguro)
- Manter os ombros baixos
- Subir o diafragma e encolher a barriga
- Deixar o pescoço livre e relaxado
- Distribuir bem o corpo entre as duas pernas
- Subir os músculos da coxa e esticar bem os joelhos
- Apertar as nádegas e virar as coxas para fora
- Executá-las com precisão, mas também dançá-las
com sentimento e expressão
Battement
Tendue
O
battement tendue é o mais importante tonificador muscular de todos
os exercícios praticados na barra, pois trabalha os três
grupos musculares mais importantes da perna:
o quadríceps (parte de trás da coxa), os adutores e os músculos
da panturrilha.
A
tradução mais rudimentar do battement tendue quer dizer
"impulsão esticada".
É dessa maneira que deve ser executado tal movimento.
Os
tendues sempre começam e terminam em posições fechadas
(1ª, 3ª e 5ª)
e seu movimento consiste em esticar e retornar a perna nas três
direções principais
da técnica clássica: devant, à la seconde e derrière.
Ao
executar o tendu, o bailarino poderá exercitar com mais clareza
as três forças divergentes que irão acompanhar todos
os outros exercícios e movimentos da dança clássica.
As três forças são a perna de base empurrando o chão,
a perna de trabalho (que faz o exercício) en dehors e o tronco
alongado para cima. O quadril é o ponto fixo dessas três
forças.
O
en dehors provoca também uma força para dentro feita pela
parte de trás das coxas,
sentida com mais clareza nas posições fechadas.
Essa é a primeira sensação sentida pelo bailarino
na saída do tendue.
Iniciando
o movimento: colocam-se as pernas no ponto mais en dehors possível
e então começa-se a transferência de peso das duas
pernas para uma só, a de base.
A
perna deve sair com o pé inteiro pressionando o chão, inclusive
o calcanhar.
Aos poucos, este vai se levantando e passando a pressão para a
meia ponta, e posteriormente para os dedos.
Observação
importante: os dedos saem de maneiras diferentes, dependendo da direção
que a perna vai tomar. Se o tendue for en avant (devant), os dedos deixam
o chão do dedão para o mindinho. Já se for à
la seconde, todos os dedos devem sair juntos, levando-se em conta, claro,
o tamanho deles. Já no tendue derrière, os dedos deixam
o chão do mindinho para o dedão.
A
perfeita execução do en dehors facilita a entrada da perna
na posição fechada.
Já a junção das coxas facilita a transferência
de peso da perna de base para as duas pernas.
Fonte: Ballet - Arte, técnica, interpretação, Dalal
Achcar
Curso de Ballet, Royal Academy of Dancing
Dicionário de Ballet, Madeleine Rosay
Os Jovens Bailarinos, Darcey Bussel
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